
Olá Amigos!
Hoje vou falar-vos um pouco do tantrismo, taoismo e sexo.
Ando a ler um livro que me incentivou a deixar aqui algumas notas. Às vezes pensamos que “o sexo” é um tema por demais abordado e que já sabemos tudo sobre o mesmo. Não é bem assim, por muita informação ou experiência que tenhamos.
Todos sabemos que a sexualidade tem vindo a ser reprimida ao longo de séculos e impregnada de sentimentos de culpa, devido às principais religiões, nomeadamente judaísmo, cristianismo e islamismo. Claro que também não somos inocentes ao ponto de pensar que são meras ideologias. Penso que, tais como outros fenómenos, esta foi uma das formas de controlar a sociedade, levando as mulheres a rejeitar e desprezar esta mesma sexualidade e os homens a permanecer numa ignorância que não lhes permite usufruir da sexualidade em toda a sua plenitude. É evidente que, na melhor das hipóteses a sexualidade é aceite como o resultado de uma paixão entre duas pessoas, que dura o tempo suficiente para que uma delas atinja o orgasmo, (o homem, claro!), ou seja, pouco mais do que uma nova forma de sonífero antes de uma noite de sono.
A educação sexual tem primado pela ausência, na Europa, nos últimos 2000 anos, e, mesmo nos dias de hoje, quando existe,baseia-se em manuais que são mais de biologia do que de sexualidade. O resultado é que os jovens procuram fontes de informação que por vezes não são as melhores e a assimilação fica comprometida por ser deturpada, na maior parte dos casos .
Quer para o tantrismo quer para o taoismo, a visão do sexo é muito mais abrangente do que para nós ocidentais. Basicamente somos considerados uma parte integrante do todo cósmico. Para que haja harmonia energética macrocósmica há que haver harmonia microcósmica. Esta harmonia ou equilíbrio só é possível, se nós, humanos, mantivermos o equilíbrio entre as energias femininas e masculinas. Sexo reprimido, energias bloqueadas, frustração, em nada contribuem para esse equilíbrio.
A mulher assume o papel de “guardiã celestial do sexo”, como fonte de energia. Ao contrário dos homens, cuja energia vital, o sémen ou energia yang se esgota porque se derrama, as mulheres conservam as secreções dentro do corpo, mantendo intacta a energia yin original. A mulher não se esgota com o orgasmo. Muito pelo contrário, quantos mais orgasmos vivenciar, mais poderosa se torna a sua força vital. Segundo os taoístas o homem quando chega aos seus trinta anos só deveria ejacular a cada dez ou doze relações sexuais e não se deveria masturbar, mas sim ter relações sexuais diariamente tantas vezes quantas as possíveis (claro que não tinham horários de entar às nove e sair às dezassete).
Importa sublinhar que estas duas escolas não se reduzem apenas ao sexo, mas integram-no como parte integrante dos seus princípios. O Tao teve origem na China e estudou a longevidade e a saíde; O Tantra teve origem na Índia e refere-se a uma comunhão espritual com as suas divindades. No entanto, ambas defendem o equilíbrio entre corpo mente e espírito e a procura do desenvolvimento de todo este potencial.
Apesar de, taoísmo e tantrismo serem comumente definidos como religiões, não o são de facto, à luz do que nós ocidentais entendemos por religião. Estas filosofias práticas assentam no seguinte: equlíbrio com nós mesmos, com os outros e com o Universo. Para isso, o sexo integra-se como algo simples, natural, sem repressões. Algo de quase sagrado que se pode desenvolver e potenciar para que possamos atingir a felicidade e a plenitude.
Uma das primeiras obras de Tao foi o Tao Te Ching , na qual o autor ou autores, afirmam que as pessoas felizes e saudáveis tratam as outras com natural respeito. Os governantes não precisam dominar o povo. Se educarem e criarem condições de dignidade para todos, não precisam de dominação. O mesmo acontece nas relações pessoais. A possessividade deve ser eliminada. Só assim todos seremos livres como seres humanos e passíveis de amor incondicional ao próximo.
Enfim, espero ter lançado algumas pistas para que possamos reflectir um pouco na nossa felicidade, no nosso bem-estar, no nosso prazer, na nossa sensualidade e encarar o sexo com leveza e como via integrante de uma vida plena.
(Já nem posso ouvir falar em crise!)
Boa noite amigos, façam muito sexo…e… sejam felizes!
Olá amigos!